Os motores de quatro cilindros começaram a ser utilizados nos automóveis de Sport da Ferrari na Primavera de 1953. No Grande Prémio dell’Autodromo em Monza, por entre os tradicionais Ferrari equipados com motores de 12 cilindros, surgiram dois modelos equipados com motores de 4 cilindros. A estreia em competição ( treinos) de um Ferrari de Sport com motor de 4 cilindros foi o 625 TF-S (2498,32 cc) do Villoresi que fez a 28 de Junho de 1953, em Monza, os treinos para a corrida que se efectuou no dia seguinte. 
A estreia em corrida do 735 S (motor de 2941,66 cc) e do 625 TF-S foi a 29 de Junho de 1953. Nessa corrida em Monza estiveram presentes dois 735 S, um com carroçaria spider Vignale e o outro com carroçaria spider feita pela Carrozzeria Autodromo de Modena, o primeiro para Hawthorn e o segundo para Ascari. No entanto o 735 do Ascari partiu o motor nos treinos e dai passaram o motor 735 do Hawthorn para o do Ascari. Na corrida, Ascari utilizou o 735 S e Hawthorn o 625 TF-S, com o qual Villoresi tinha alinhado nos treinos.
Só será visto novamente o motor de 4 cilindros em competição, nas 12 Horas de Casablanca de 1953 (20 de Dezembro), estes cinco meses foram aproveitados em Maranello para efectuar o acerto deste novo modelo. O motor de 2,5 litros (625/F1) foi preterido em relação ao 500/F2 (paralelamente foi desenvolvido o motor de 2,9 litros/735) que tinha acabado de dar à Ferrari e a Ascari o segundo Campeonato do Mundo consecutivo. A designação deste novo Ferrari estava encontrada, 500 Mondial. As 12 Horas de Casablanca de 1953 foram a sua 1ª prova disputada, antes que os primeiros exemplares fossem entregues aos clientes.
Essa prova de resistência, disputada no sinuoso circuito de Anfa, iniciou de forma brilhante a carreira do 500 Mondial, ao conseguir o 2º lugar final, logo atrás do 375MM de Villoresi e Ascari e à frente do Talbot de 4,5 litros de Levegh e Etancelin e os dois Aston Martin (2,9 litros) oficiais.
Um sucesso esta primeira saída do 500 Mondial, que dispunha de uma carroçaria feita por um jovem carroçador de Modena, Franco Scaglietti, segundo um desenho realizado por Alfredo "Dino" Ferrari, que há alguns anos antes tinha pedido a Scaglietti que  adaptasse essa carroçaria por ele desenhada a um 166MM que Enzo Ferrari lhe havia dado. Este desenho serviria de base a uma série de modelos Ferrari de Sport, iniciada com este 500 Mondial e que prefigurava o estilo dos 750 Monza. O châssis destes protótipos do 500 Mondial eram os mesmos que serviam de base aos 250 MM.
No entanto, os primeiros 500 Mondial na versão "cliente", foram equipados com uma carroçaria desenhada por Pininfarina, cujas linhas recordam (numa escala reduzida) as do 375MM, o carroçador de Turim construiu no total doze carroçarias deste género.
Nesta configuração, o 500 Mondial iniciou a sua actividade em Agadir (27 de Fevereiro de 1954).
No 500 Mondial, os clientes podiam escolher entre as carroçarias Pininfarina (catorze no total), e as Scagletti (treze no total). Pinin Farina  carroçou duas versões fechadas (#0422MD e #0452MD). As carroçarias Pininfarina equiparam parte dos 500 Mondial construídos da 1ª série, a outra parte foi construída por Scaglietti, enquanto que todos os da 2ª série foram equipados com carroçarias concebidas pelo carroçador de Modena.
Todos os 500 Mondial da 1º série foram feitos com base nos châssis 501, enquanto que os da 2ª série nos do Tipo 510, iguais aos 750 Monza.


Nº de chassis construídos: Total de 27, entre os Série I e Série II

500 Mondial Série I - Chassis Tipo 501, Motores Tipo 110 (1953/1954):

Pinin Farina Berlinetta/Spider: 14, #0406MD, #0408MD, #0410MD, #0414MD, #0418MD, #0422MD (Berlinetta), #0424/0564MD, #0426MD, #0430MD, #0434MD, #0438MD, #0448MD, #0452MD (Berlinetta), #0458MD

Scaglietti Spider: 6, #0404MD, #0454MD, #0464MD, #0468MD, #0474MD e #0506MD

500 Mondial Série II - Chassis Tipo 510, Motores Tipo 111 (1955): 

Scaglietti Spider: 7, #0512MD, #0528MD, #0536MD, #0556/0446MD, #0564/0424MD, #0574MD, #0580MD

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Principais características técnicas:
(500 Mondial Série II)


Motor

4 cilindros em linha
1984,86 cc (90x78mm)
Potência máxima: 165/170 CV às 7000 rpm
Distribuição: Duas válvulas por cilindro
Alimentação: Dois carburadores Weber 45 DCO A/3

Transmissão

5 velocidades + MA
Diferencial autoblocante ZF

Châssis

Tipo 510-119
Tubos de aço de secção elíptica
Suspensão frontal com rodas independentes, quadriláteros deformáveis e molas helicoidais
Suspensão traseira ponte De Dion e molas de lâminas transversais
Travões hidráulicos de tambor
Reservatório de combustível de 145 litros
Sistema de refrigeração composto por um radiador situado à frente

Dimensões

Distância entre eixos: 2250 mm
Peso: 720 Kg


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#0528MD

Este 500 Mondial estava equipado com uma carroçaria Scaglietti na configuração da 2ª série, equipada com um châssis do Tipo 510, iguais as que equipavam os 750 Monza.
Foi adquirido inicialmente pelo Conde Carlo Leto de Priolo, que o estreou em competições nas Mil Milhas de 1955, tendo efectuado mais duas provas, o Grande Prémio de Bari (15 de Maio) e o Grande Prémio Supercortemaggiore (29 de Maio). Como desistiu em todas essas provas pelo mesmo motivo, motor partido, devolveu o automóvel à Ferrari e pediu a devolução do dinheiro....
Em Setembro de 1955, o Tenente Mário Lopes da Costa, oficial do exército e genro do governador de Macau, Marques Esparteiro, compra o 500 Mondial, e com ele disputa as corridas daquele ex-território português de 1955 e 1956, tendo nos inícios de 1957, vendido este Ferrari ao piloto de Hong Kong,  George Baker, que o utilizou no Grande Prémio de Macau de 1957 e 1958.
O #0528MD voltou ao antigo território português em 1960, agora com o piloto malaio Jan Russell ao volante, no entanto nesta altura este Ferrari estava equipado com um motor de três litros, passando dessa forma a ser um 750S e não um 750 Monza, isto porque apesar de ter um châssis do tipo 510-119 idêntico aos Monza, nenhum destes automóveis com o sufixo MD no número de châssis alguma vez foram designados por Monza.


1955


II Grande Prémio de Macau
Mário Lopes da Costa (nº14)

Treinos: 1º
Corrida: Não terminou
(Foto: "Colour and Noise", Philip Newsome, Studio Publications/ Colecção Ângelo Pinto da Fonseca)

1956

III Grande Prémio de Macau
3/4 de Novembro
Mário Lopes da Costa (Nº16)
Corrida: 2º

(Foto: Revista ACP/Colecção Manuel Taboada)

1957



IV Grande Prémio de Macau
16/17 de Novembro
George Baker (nº9)
Treinos: 1º
Corrida: Não terminou
(Foto: Colecção Manuel Taboada)


1958


V Grande Prémio de Macau
George Baker (nº6)
Treinos: 1º
Corrida: Não terminou
(Foto: "Colour and Noise", Philip Newsome, Studio Publications/Colecção Ângelo Pinto da Fonseca) 


1960

VII Grande Prémio de Macau
Jan Bussell (nº26)
Corrida: 3º
(Equipado com um motor de três litros)
(Foto: "Colour and Noise", Philip Newsome, Studio Publications/Colecção Ângelo Pinto da Fonseca)